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De Florença a Milão e além, descubra onde um dos maiores artistas de todos os tempos, Leonardo Da Vinci, desenvolveu sua mente incrível. Seguiremos os passos de Leonardo da Vinci na Itália.

Sem dúvida, Leonardo Da Vinci foi um gênio sem igual. Pintor, cientista, arquiteto e homem renascentista, Leonardo deixou sua marca em toda a Itália em afrescos, edifícios, desenhos e até protótipos e projetos para muitos dos marcos tecnológicos do mundo. Ao longo de sua vida, ele criou algumas das maiores pinturas, além de inventar máquinas e registrar observações anatômicas que não seriam superadas por séculos.

Embora algumas das obras-primas de Da Vinci se encontrem em museus fora da Itália, existem muitos exemplos das obras do mestre em sua terra natal. Você pode seguir uma “viagem pela vida de Leonardo” com esta lista de lugares na Itália, onde você pode ver o trabalho dele.

By J. Posselwhite – British Library Flickr Stream, CC0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=69092149

 

 

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Início humilde: Vinci

Para ser um dos homens mais instruídos e realizados de sua idade, as origens de Leonardo eram bastante obscuras. Nascido na cidade de Vinci, na Toscana, em 1452, filho de Caterina, uma humilde camponesa, era filho ilegítimo de Piero, um notário que passava grande parte de seu tempo em Florença. Sua infância foi passada nesta cidade, mais precisamente fora do centro de Vinci, no lugarejo de Anchiano, na casa de seus avós.

Ali sua educação ocorreu, bastante desordenada e descontínua, sem um programa exato, por seu avô Antonio, seu tio Francesco e o padre Piero que o batizou. De fato, o menino aprendeu a escrever com a mão esquerda e vice-versa, de maneira que espelhava a escrita normal.  Vasari, no seu livro “Le vite de’ più eccellenti pittori, scultori e architettori” conta como o jovem Leonardo no estudo começou “muitas coisas … e depois as abandonou” e, na impossibilidade de iniciá-lo na carreira jurídica, o pai decidiu apresentá-lo ao conhecimento do ábaco (instrumento antigo de operação matemática), mesmo que “constantemente movendo dúvidas e dificuldade para o professor que o ensinou”.

casa natal de Leonardo da Vinci

Em Anchiano, você pode visitar a casa de infância, o local de nascimento de Leonardo. Uma casa de pedra relativamente humilde, é agora um pequeno museu, com exposições sobre sua infância.

Em Vinci, existem vários lugares relacionados à vida de Leonardo. A igreja de Santa Croce é onde ele teria sido batizado, enquanto o castelo com vista para a cidade abriga o Museu Leonardiano, que possui modelos em tamanho real de algumas de suas invenções mais famosas.

Não perca as obras de arte contemporâneas espalhadas por Vinci que foram inspiradas pelo mestre, desde a escultura geométrica na Piazza dei Guidi até um homem vitruviano em 3D na Piazza Guido Masi e um cavalo gigante na Piazza della Libertà.

Saiba mais: Vinci, a cidade de Leonardo da Vinci

Aprendendo em Florença

Em 1468, quando Leonardo tinha 16 anos, mudou-se para Florença, onde seu pai vivia. Mostrando uma aptidão incrível para desenhar, ele foi aprendiz do pintor e escultor Andrea del Verrocchio. Leonardo passaria grande parte de sua idade adulta lá, aprendendo seu ofício e trabalhando em algumas das comissões de seu mestre por horas a fio. Entre os alunos de Verrocchio, havia nomes que se tornariam os grandes mestres da próxima geração, como Sandro Botticelli, Perugino, Domenico Ghirlandaio e Lorenzo di Credi, e a oficina realizava uma atividade multifacetada, da pintura a várias técnicas esculturais (em pedra, cera persa e entalha de madeira), até as artes “menores”.

A obra Batismo de Cristo que hoje está no museu Uffizi, foi pintado com várias mãos, e é testemunha do estreito confronto de Leonardo com o seu mestre. De acordo com a indicação de Vasari, confirmada posteriormente também pelos críticos modernos, a Leonardo foi designado pintar o anjo em primeiro plano à esquerda e a paisagem suave ao fundo. Neste trabalho, já são evidentes alguns motivos do estilo de Leonardo, que ultrapassam os limites dos ensinamentos de Verocchio, a decoração baseada em motivos fluidos, a atenção aos elementos das plantas e a expressividade dos rostos, muitas vezes retratados com um sorriso ambíguo, bem como as primeiras dicas de um estilo esfumado.

Di Andrea del Verrocchio – Opera propria, CC BY-SA 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=45635519

Ainda segundo Vasari, a habilidade de Leonardo nesta pintura foi tanta, que teria feito com que Verrocchio teria dito que ” não tocaria mais nos pincéis, pois o aluno sabia mais que ele”.

Não foi tudo difícil, no entanto. O jovem Leonardo obviamente tinha tempo para atividades “menos salubres” do que trabalhar em pinturas religiosas. Com 23 anos, ele foi preso por sodomia, juntamente com vários outros jovens. As acusações foram retiradas, mas o incidente levou a um debate incessante sobre sua sexualidade.

Grande parte da Florença que Leonardo teria conhecido se foi, mas algumas das obras-primas nas quais ele pintou ou colaborou podem ser encontradas no museu Uffizi, como o Batismo de Cristo (1475), a Anunciação (1472) e a Adoração do Magos (1482).

Existe a lenda de que uma enorme pintura de Leonardo da Vinci,”A Batalha de Anghiari,  esteja “escondida” no Salone do Dei Cinquecento, no Palazzo Vecchio,  coberta por uma parede e outro afresco. A localização da pintura monumental, às vezes chamada de ” O Leonardo Perdido “, permanece um mistério, porém  a pintura existiu, e entre as melhores cópias tiradas desta obra de Leonardo está a de Pieter Paul Rubens, agora no Louvre. Provavelmente os últimos vestígios do trabalho foram cobertos em 1557 pelos afrescos de Vasari.

 

Uma era de ouro: Milão

Acredite ou não, Florença não era grande o suficiente para Leonardo. Ele queria mais e, em 1482, escreveu ao duque de Milão, Ludovico Sforza, oferecendo seus serviços como engenheiro e artesão. Ludovico aceitou sua oferta e, pelos 17 anos seguintes, trabalhou em Milão para o duque, criando concursos estranhos e obras de arte.

Quando Leonardo não estava trabalhando nos pedidos de Ludovico, ele tinha tempo de completar várias comissões. Talvez a mais famosa seja, é claro, A Última Ceia, um afresco pintado em uma parede do convento de Santa Maria delle Grazie (você também pode visitar a pequena vinha do outro lado da estrada, onde Da Vinci se aposentaria para cuidar de suas uvas). Ele também pintou A Madona das Rochas para a igreja de San Francesco Grande, embora essa pintura agora esteja no Nacional Gallery de Londres.

 

By Leonardo da Vinci – https://www.ambrosiana.it/en/opere/portrait-of-a-musician/, Public Domain, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=90688809

Outro tema recorrente do período milanês é o retrato, no qual o artista conseguiu aproveitar os estudos anatômicos iniciados em Florença, interessados ​​principalmente nas ligações entre as fisionomias e os “movimentos da alma”, ou seja, os aspectos psicológicos e as qualidades morais que eram claramente visíveis a partir das características externas. Uma das primeiras evidências sobre esse tema que chegou até nós é O retrato de um músico, quese encontra na Pinacoteca Ambrosiana de Milão. A atenção analítica e a implicação psicológica no olhar são notáveis ​​neste trabalho. Outro retrato famoso desse período é a chamada Belle Ferronnière, uma dama, talvez ligada à corte de Sforza, com um olhar intenso que evita aristocraticamente o olhar do espectador.

Certamente ligado à comissão ducal está o Retrato de Cecilia Gallerani, chamado Senhora com um arminho. A presença do animal, além de recordar o sobrenome da mulher (galé em grego), também aludiu à honra da Ordem do Arminho, recebida em 1488 por Moro de Ferdinando I de Nápoles.

O Codex Atlanticus, um dos cadernos de anotações de Da Vinci, repleto de extensas observações e desenhos, é preservado na Biblioteca Ambrosiana e vários dos desenhos desse caderno estão em exibição. Você também pode explorar o Codex Atlanticus no site da Biblioteca Ambrosiana ou graças a este projeto do Codex Atlanticus. Além dos manuscritos, a biblioteca contém a Pinacoteca Ambrosiana, que tem o Retrato de um músico que já falamos acima.

O Castello Sforzesco de Milão abriga mais um caderno, o Codex Trivulzianus. Um tesouro da Biblioteca Trivulziana do castelo, o caderno é um estudo de arquitetura e religião. Leonardo também pintou a decoração do teto em uma sala no Castello Sforzesco, a Sala delle Asse.

Finalmente, o  Museu de Ciência e Tecnologia Leonardo da Vinci tem muitos modelos baseados nas invenções de Leonardo. Também abriga o Leonardo Lab, um espaço interativo prático para aprender mais sobre as invenções de Leonardo.

A gigante estátua equestre no Piazzale dello Sport é baseada em desenhos que ele fez ao longo de vários anos. Você também pode encontrar algumas de suas invenções na cidade, como as fechaduras de madeira que tornaram possível a rede de canais de Milão (veja uma seca no final da Via San Marco) e o Ferry de Leonardo, um tipo de barco que depende apenas de mão de obra e correntes, e um exemplo de que hoje navega no rio Adda a nordeste de Milão.

Viajando pela Itália

Em 21 de junho de 1490, ele foi a Pavia, a pedido dos construtores do Duomo, para aconselhamento. Ele foi para lá com Francesco di Giorgio Martini, arquiteto e autor do tratado de arquitetura, e aprofundou o estudo da arquitetura, pois daquele período é o chamado Manuscrito B (Paris, Institut de France), dedicado ao planejamento urbano, arquitetura religiosa e militar.

Os estudos sobre o corpo humano e suas proporções perfeitas, que culminaram na execução do famoso desenho do homem vitruviano, também remontam ao mesmo período (hoje está no Gabinetto dei Disegni e delle Stampe da Galleria dell’Accademia da Veneza).

Após a invasão dos franceses em 1499, Leonardo partu da cidade, marcando o início de um período de viagens e peregrinações, o que o levou a visitar cidades e cortes e o fez retornar por curtos períodos a Florença

Alguns dos projetos que ele concluiu incluem o porto do canal em Cesenatico, uma ‘pequena Veneza’ na costa de Emília-Romanha, bem como um dos primeiros exemplos sobreviventes do mundo de um mapa iconográfico (que mostra as plantas dos edifícios), representando a cidade de Ímola, perto de Bolonha.

Di Leonardo da Vinci – Cropped and relevelled from File:Mona Lisa, by Leonardo da Vinci, from C2RMF.jpg. Originally C2RMF: Galerie de tableaux en très haute définition: image page, Pubblico dominio, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=15442524

Foi também nessa época que Leonardo aceitou a comissão que seria eternamente associada ao seu nome. Em 1503, ele começou a trabalhar no retrato de Lisa Gherardini, esposa de um próspero nobre florentino. Com seu sorriso enigmático, a Mona Lisa se tornou talvez a pintura mais famosa do mundo e hoje está no Louvre, em Paris.

Leonardo nunca completará a redação do tratado sobre o voo, mas em 1505 ele realizou o Código sobre o voo dos pássaros, agora mantido na Biblioteca Real de Turim. O Código de voo é a coleção do pensamento mais maduro de Leonardo, inerente ao estudo do voo, e é nas páginas deste precioso manuscrito que Leonardo projeta sua máquina voadora mais avançada: o Grande Pássaro. Nos três anos seguintes, Leonardo aprofundou seus estudos sobre a anatomia dos pássaros e sobre a resistência do ar e, por volta de 1515, sobre a queda de pesos e os movimentos do ar. Com esse conhecimento, ele tentou construir máquinas voadoras originais. Acredita-se que Leonardo tenha experimentado o vôo com um de seus atendentes de confiança, Tommaso Masini, chamado “Zoroastro”, da colina de Fiesole, sem contudo obter sucesso: de fato, parece que a vítima caiu feio, quebrando até uma perna!

Antes de deixar Florença, houve outro episódio que demonstrava bem que Leonardo tinha seus “problemas” com o jovem Michelangelo. Quando este completou a sua famosa obra, o David, os artistas florentinos foram convocados para decidir pela colocação da estátua na Piazza della Signoria, em 25 de janeiro de 1504. Entre eles Sandro Botticelli, Andrea della Robbia, Simone del Pollaiolo, Filippino Lippi, Perugino, Lorenzo di Credi, Giuliano e Antonio da Sangallo, Leonardo toma a palavra para aconselhar, seguindo uma idéia de Giuliano, uma posição isolada para a estátua, na Loggia della Signoria, perto do muro, emoldurado talvez por um nicho “para que não estrague as cerimônias dos oficiais”. Sua posição, que evidentemente provocou a oposição de Michelangelo, teve uma minoria, e assim acabou prevalecendo a hipótese de Filippino Lippi, para uma posição de máxima proeminência ao ar livre, dominante e autoritária em frente ao Palazzo Vecchio.

Em Florença, Leonardo começou a se sentir lisonjeado pelo governador francês de Milão, Charles d’Amboise, que o instigava desde 1506 a entrar ao serviço de Luís XII da França. No ano seguinte, foi o próprio rei quem solicitou explicitamente Leonardo, que finalmente concordou em retornar a Milão a partir de julho de 1508. A segunda estadia milanesa, que durou até 1513, foi um período muito intenso: ele pintou Sant’Anna, a Virgem e o Menino com o cordeiro (hoje no Louvre) completou, em colaboração com De Predis, a segunda versão da Virgem das Rochas, e tratou de problemas geológicos e hidrográficos e planejamento urbano.

Por Leonardo da Vinci, Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=15474941

A residência final de Da Vinci na Itália foi em Roma, onde passou um tempo ao lado de Rafael e Michelangelo no Vaticano. Hoje, apenas uma de suas pinturas está nos museus do Vaticano: o inacabado São Jerônimo no Deserto (1480).

Em 24 de setembro de 1514, Leonardo partiu para Roma, trazendo os alunos mais próximos, Melzi e Salaì. Lá Giuliano de ‘Medici, irmão do Papa Leão X, conseguiu acomodações para ele nos apartamentos Belvedere no Vaticano, onde o artista se dedicou a seus estudos científicos, mecânicos, ópticos e de geometria. Ele não recebeu comissões públicas, mas pôde ver Giuliano da Sangallo, encarregado da Basílica de São Pedro, Raffaello Sanzio que afrescava os apartamentos papais, e talvez também Michelangelo, seu antigo “desafeto”.

Ele cuidou da drenagem dos pântanos de Pontine,  e o arranjo do porto de Civitavecchia. Com Giuliano e o papa, ele viajou para Bolonha, onde conheceu Francisco I de França.

Em Roma, ele também começou a trabalhar em um projeto antigo, o dos “espelhos queimantes” usados ​​para transmitir os raios do sol para aquecer uma cisterna de água, útil para impulsionar as máquinas. O projeto, no entanto, encontrou várias dificuldades principalmente porque Leonardo não se dava bem com seus trabalhadores alemães, especialistas em espelhos, enviados especificamente da Alemanha. Porém uma carta anônima, provavelmente enviada por vingança pelos dois trabalhadores alemães, o acusou de bruxaria. Na ausência da proteção de Giuliano de ‘Medici e diante de uma situação que se tornara pesada, Leonardo viu-se forçado, mais uma vez, a sair. Dessa vez, ele decidiu deixar a Itália. Ele era um homem idoso, precisava de tranquilidade e alguém que o apreciasse e o ajudasse.

As últimas notícias de seu período romano remontam a agosto de 1516, quando ele mediu o tamanho da Basílica de São Paulo Fora dos Muros, após o qual teve que aceitar os convites do rei da França.

Para saber mais sobre o período na França de Leonardo, leia o texto Château du Clos Lucé – a última casa de Leonardo da Vinci no site Direto de Paris.

Sobre Deyse RibeiroSou Deyse Ribeiro, nasci em Minas Gerais, e vivo na Itália há 14 anos. Sou especialista em turismo na Itália, onde adquiri experiência atuando desde 2011 como guia de turismo, criadora de conteúdo sobre turismo e empresária no ramo. Abri minha primeira empresa em 2017, e ofereço serviços, tours, transfers e experiências únicas na Itália, através do Portal TourNaItália.com - uma boutique de experiências diferente de tudo o que você já viu!

1 comentário em “Seguindo os passos de Leonardo da Vinci na Itália”

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