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Bienal de Arte de Veneza: tudo o que você precisa saber para visitar

Você conhece a Bienal de Arte de Veneza? Veja aqui tudo o que você precisa saber para visitar em 2026 – ano da bienal de arte mais antiga do mundo, a Biennale di Venezia.

 

*Este texto foi realizado pela Patricia Camargo. Patrícia Camargo é Mestre em Turismo Cultural, Doutora em Educação e Museus de Arte, Escritora de viagens e de arte, além de Produtora de de material didáctico de história da arte.

Seus canais:

 

Será sua 61a.edição, a primeira pensada por uma mulher africana, Koyo Kouoh. Infelizmente, ela faleceu dias antes da apresentação da sua curadoria à imprensa. Após consultar com sua equipe e com sua família, a bienal decidiu manter de forma integral o projeto desenvolvido por Kouoh.

A cada mostra, um novo curador é selecionado. A bienal anterior teve a frente o diretor artístico do MASP, Adriano Pedrosa. A pessoa escolhida pensa o tema, o desenho, seleciona os artistas e desenvolve todos os materiais necessários para sua posta em cena. É claro que necessita o apoio de um grande grupo de pessoas para que funcione e represente de alguma maneira as ideias plásticas mais importantes da atualidade.

A Bienal de Veneza funciona como uma vitrine de tendências e de artistas.

O título da mostra e portanto, seu título é “In Minor Keys”.

Pavilhão Nacional da Alemanha

O que significa “In Minor Keys”?

Poderíamos traduzi-lo como “Em tons menores” e para entendê-lo, vou enumerar algumas das principais inspirações da curadora:

  • a estrutura musical “em tonalidade menor” associada à improvisação (como no jazz, no blues) à melancolia, à intimidade.

“As tonalidades menores rejeitam o rugido orquestral e as marchas militares cadenciadas, e ganham vida nos tons sussurrados, nas frequências mais baixas, nos murmúrios, nas consolações da poesia — todos portais improvisados para outros lugares e para além deles. As tonalidades menores exigem um estilo de escuta que envolva as emoções e, por sua vez, as sustente”;

  • os livros “Amada” de Toni Morrison e “Cem Anos de Solidão” de Gabriel García Márquez, “dois romances que compartilham o tema da travessia de mundos e limiares temporais”;
  • espaços menores, “pequenas ilhas, mundos no meio dos oceanos com ecossistemas distintos e infinitamente ricos, vidas sociais que se articulam, para o bem ou para o mal, dentro de formas políticas e desafios ecológicos muito mais amplos”;.

Essas são pistas do que veremos pelos corredores das duas sedes principais, a histórica – o Giardino – e a outra, de mais recente incorporação, o impressionante Arsenale.

Entrada – Giardino com obra e coletivo Mahku

Como é a visita – Bienal de Veneza 2026

A curadora selecionou 111 artistas que compõe a mostra principal, que por sua vez se divide em parte contemporânea e parte histórica. Na histórica temos artistas consagrados e na maioria das vezes, já falecidos. Já na parte contemporânea temos artistas que estão trabalhando e produzem obras pensadas para a bienal, a pedido do curador.

Cada um desses artistas costuma apresentar um pequeno grupo de obras, o que pode ser distinto no caso de performances e video-arte.

Normalmente essas duas vertentes estão em diferentes salas, mas pelo texto de apresentação, estou achando que em 2026 teremos uma maior integração dos dois eixos, o histórico e o contemporâneo.

Os edifícios principais das duas sedes, que são enormes, abrigarão essa seleção. Sempre começo pelo Giardino, mas não existe uma ordem de visita. As duas sedes distam mais ou menos 1 quilômetro uma da outra.

Dois brasileiros foram selecionados:

  • Eustáquio Neves (1955)
  • Ayrson Heráclito (1968)

Apenas a visita dessa parte da bienal já demanda tempo. Mas ainda tem mais, os pavilhões nacionais, onde os países selecionam artistas para representá-los a cada dois anos. Cada pavilhão tem seu próprio curador, ou seja, a pessoa que pensa a exposição. Alguns países possuem espaço próprio, o Brasil é um desses estados com sede própria no Giardino.

Cada país pode seleccionar quantos artistas queira e normalmente a curadora se adapta ao tema da exposição principal. As representantes do Brasil em 2026 serão Rosana Paulino e Adriana Varejão, o tema “Comigo ninguém pode”,com curadoria de Diane Lima.

Arsenale

Quantos dias para a visita?

É impossível visitar tudo em apenas 1 dia, mas se é isso que você tem, deixe de lado os pavilhões nacionais e passe metade do dia no Giardino e a outra metade no Arsenale. Para aproveitar melhor o tempo, recomendo uma visita guiada, ainda mais se for sua primeira vez por lá.

Caso tenha mis tempo, compre o passe de 3 dias. Visite no primeiro dia o Giardino, no segundo, o Arsenale e deixe o terceiro dia para voltar no que mais gostou ou se dedicar a alguns pavilhões nacionais que não conseguiu entrar, levando em consideração que os mais badalados tem fila, porque trabalham com capacidade de carga (número máximo de pessoas por hora).

Kouoh inicia o texto sobre sua curadoria com as seguintes frases de boas-vindas:

[Respire fundo]

[Expire]

[Relaxe os ombros]

[Feche os olhos]

E continua, afirmando que a sua bienal é “um convite para desacelerar e sintonizar as frequências dos tons menores.”

Portanto tente ao menos passar dois dias por lá.

Maria Bonomi

Quando ir?

Abre ao público de 9 de maio a 22 de novembro de 2026, sendo que os horários mudam com a estação:

  • de 9 de maio a 27 de setembro de terça a domingo das 11:00 às 19:00 horas, e nas sextas e sábados a sede da Arsenale estenderá seu horário até às 20:00 horas.
  • de 29 de setembro a 22 de novembro, de terça a domingo das 10:00 às 18:00 horas.

Fechado na segunda, com exceção de 11 de maio, 1 de junho, 7 de setembro e 16 de novembro

Obra de Brett Graham

Quanto custa a entrada?

A individual sai por 30€, dá direito a uma entrada no mesmo dia, nas duas sedes.

A entrada de 3 dias consecutivos custa 40€. Dá direito a entradas ilimitadas às duas sedes durante 3 dias consecutivos.

Para quem comprar até 31 de março tem desconto – “early bird” – a individual sai 25€ e a de 3 dias, 30€.

Para comprar: https://www.labiennale.org/it/news/vendita-i-biglietti-early-bird-la-biennale-arte-2026

Obra de WangShui

Catálogo e guia breve

Para quem trabalha com arte o catálogo está composto por 2 volumes, um tomo de 720 páginas e outro de 254 páginas. Custará 90 euros, inclui texto crítico do brasileiro Hélio Menezes e da francesa publicada no Brasil, Françoise Vergès.

Além do catálogo, editam um guia breve que é ótimo para se orientar durante a visita e também como souvenir. Ele é menor, mede 15 x 20 cm, tem 552 páginas e custará 25€.

Nas duas sedes há lojas que vendem o catálogo, o guia breve, outros livros de arte, bem como produtos relacionados com o tema e a identidade gráfica da bienal de cada ano.

Posso comer dentro da Bienal?

Há lanchonetes e pequenos restaurantes em ambas sedes.

Obra de Liz Collins

É legal com crianças?

Claro que é, mas por favor não faz sua criança odiar arte impondo uma maratona. Se isso já é insuportável para adultos, imagina para os pequenos. É uma oportunidade e tanto, lembrando que essas visitas normalmente se convertem em hábito na vida adulta. Já está comprovado, que as crianças que apenas visitam museus com a escola, não serão visitantes assíduos na idade adulta.

Se quiser ter uma ideia de como são os lugares de exposição, assina o vídeo com os highlights do Arsenale e do Giardino, da Bienal de Veneza de 2024.

Sobre Deyse RibeiroSou Deyse Ribeiro, nasci em Minas Gerais, e vivo na Itália há 14 anos. Sou especialista em turismo na Itália, onde adquiri experiência atuando desde 2011 como guia de turismo, criadora de conteúdo sobre turismo e empresária no ramo. Abri minha primeira empresa em 2017, e ofereço serviços, tours, transfers e experiências únicas na Itália, através do Portal TourNaItália.com - uma boutique de experiências diferente de tudo o que você já viu!

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